Levantamento feito entre janeiro e junho de 2008 revela que o Nordeste tem a maior cobertura do Programa Saúde da Família (PSF). O Ceará ocupa a sétima colocação entre os nove estados nordestinos
O atendimento do PSF tem resultado em melhorias nos índices de saúde. Há 15 anos, a atenção básica, que tem por estratégia prevenir doenças e o agravamento das já em evolução, ganhava uma estratégia própria, o Programa Saúde da Família. A ação visa promover um acompanhamento contínuo, realizado por uma equipe composta para atender à população em sua integralidade. No Ceará, estado que inspirou o programa, esse acompanhamento atende a 5,3 milhões de pessoas - o que corresponde a 64,9% da população. Os dados são do Ministério da Saúde e abrangem o período de janeiro a junho de 2008. Em Fortaleza, o PSF atende a 621 mil pessoas, o que equivale a 25,7%.
Segundo a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), há 1.601 equipes do Programa Saúde da Família (PSF) atuando. Um dos impactos positivos dos 15 anos da estratégia no Ceará é o aumento da realização do pré-natal. Em 1994, quando havia 81 equipes do PSF, 68% das mulheres grávidas faziam o acompanhamento. Em 2007, esse percentual subiu para 96%.
Para o secretário executivo da Sesa, Arruda Bastos, a estratégia é comprovadamente vitoriosa. A fim de ilustrar, ele aponta a redução do índice de mortalidade infantil e materna e da incidência de doenças infecciosas, como pneumonia e tuberculose, nos últimos anos. Dados da Sesa apontam que, há 15 anos, a taxa de mortalidade infantil era de 80 para cada mil nascidos vivos. Em 2008, o número caiu para cerca de 20 para cada mil nascidos vivos. Outros méritos que ele atribui ao PSF é o aumento da cobertura de vacinação, do hábito do aleitamento materno e da interiorização dos médicos, que antes se concentravam na Capital.
O agente comunitário de saúde Antônio Carlos Néris, que atua no município de Pacujá, a 292 quilômetros de Fortaleza, cita o acompanhamento a hipertensos, diabéticos e a pessoas com hanseníase e tuberculose como pontos positivos do PSF. Para ele, o agente comunitário funciona como um termômetro da equipe do PSF. "É ele quem leva as informações às famílias. Hoje, o agente é um educador de saúde." Néris atua atendendo a 116 famílias.
Para ampliar a cobertura do PSF, segundo Bastos, é preciso aumentar o financiamento que vem do Ministério da Saúde, que ainda é insuficiente. "Nós temos batalhado para que o recurso seja ampliado, já que a estratégia está em plena evolução." Uma maior abrangência do PSF, para o secretário executivo, pode refletir na diminuição de filas no atendimento secundário e terciário, já que prima pela prevenção de doenças.
Núcleos
O PSF deve ganhar mais força com a implantação dos Núcleos de Atenção à Saúde da Família (Nasf), que devem reunir profissionais de saúde de áreas diversas, como fonoaudiólogo, psicólogo, ginecologista e terapeuta ocupacional. A intenção é complementar o trabalho das equipes do PSF. Cada núcleo deve estar vinculado a, no mínimo, oito equipes. O Ceará já cadastrou 83 núcleos - alguns, segundo Arruda Bastos, já estão entrando em funcionamento.
COBERTURA DO PSF NO NORDESTE
Piauí 96,1%
Paraíba 90,9%
Sergipe 83,8%
Maranhão 77,5%
Alagoas 69,9%
Pernambuco 66,2%
Ceará 64,9%
Bahia 53,2%
Rio Grande do Norte 45%
SAIBA MAIS
O Programa Saúde da Família (PSF), que está sendo chamado também de Estratégia Saúde da Família (ESF), que tem como base a equipe multidisciplinar voltada para o atendimento da atenção primária em saúde. A estratégia é baseada em ações de promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos mais freqüentes, e na manutenção da saúde. As equipes são compostas, no mínimo, por um médico de família, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e seis agentes comunitários de saúde. Quando ampliada, conta ainda com um dentista, um auxiliar de consultório dentário e um técnico em higiene dental. Cada equipe se responsabiliza pelo acompanhamento de cerca de três mil até, no máximo, 4,5 mil pessoas.