O Ministério da Saúde aprovou 83,5% dos trabalhos catarinenses inscritos para a 3ª Mostra Nacional de Saúde da Família. Dos 206 trabalhos enviados por profissionais com atuação em Secretarias Municipais de Saúde, universidades e na Secretaria de Estado da Saúde (SES), 172 foram selecionados para serem expostos na Mostra, que começou nesta terça-feira, 5 de agosto, Dia Nacional da Saúde. A SES financiou a viagem de 85 profissionais catarinenses para Brasília, com o propósito de promover a troca de experiências e divulgar os trabalhos realizados em Santa Catarina.
O evento teve como objetivo sistematizar a forma de qualificação da Atenção Básica, valorizando os profissionais de Saúde que atuam nas comunidades e acompanham de perto as condições de vida das famílias. Em conjunto com a Mostra, estão sendo realizados ainda o 3º Concurso Nacional de Experiências em Saúde da Família e o 4º Seminário Internacional de Atenção Primária à Saúde.
Dezenas de municípios catarinenses colaboraram, enviando pesquisas e relatos de experiências em áreas como saúde bucal, campanhas de prevenção, saúde nas empresas e avaliação de programas já instituídos. Entre eles
está um estudo da enfermeira Edenice Reis da Silveira, que atua na gerência de planejamento do SUS, para avaliar se a inclusão de instrumentos oferecidos pelo Ministério da Saúde na rotina das equipes de Saúde da Família pode reduzir o número de internações de idosos causadas por quedas. Ela analisou o Caderno de Atenção Básica e a Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa.
Para justificar o estudo, a enfermeira cita dados sobre o assunto: cerca de 30% dos idosos caem a cada ano. Desses, aproximadamente 2,5% precisam ser hospitalizados, sendo que apenas metade sobrevive após um
ano. "A avaliação dos idosos é importante porque muitos omitem que sofreram uma queda. Dessa forma, passa a ser uma função das equipes de saúde identificar essas pessoas o mais cedo possível", explica.
A Estratégia Saúde da Família está completando 15 anos no Brasil, e em Santa Catarina vem ganhando cada vez mais investimentos. Em 1998, apenas 5,9% dos catarinenses tinham acesso às equipes de Saúde da Família.
Atualmente, 1.239 equipes atendem 65,7% da população residente no Estado. Além disso, há 646 equipes de Saúde Bucal da Família e quase 9 mil agentes comunitários em Santa Catarina. No Brasil, quase 220 mil agentes
comunitários fizeram, no ano passado, 337,6 milhões de visitas. Em dezembro de 2007 o programa contabilizou 103,3 milhões de indivíduos cadastrados.
O modelo de Atenção Básica no país mudou significativamente com a implantação da Estratégia Saúde da Família. Neste programa, uma equipe pode ser responsável por até 4 mil habitantes, realizando ações de
promoção da saúde, prevenção e assistência, atuando na recuperação e reabilitação nos casos de doenças. Entre os resultados positivos do programa estão melhoras expressivas em vários indicadores de Saúde. A mortalidade infantil teve uma diminuição superior a 50% nos últimos 15 anos. E o percentual de mulheres que fazem o pré-natal nos primeiros meses passou de 62,4% em 2000 para 77,1% em 2006.
No início do programa, apenas 1 milhão de brasileiros eram beneficiados pela Estratégia Saúde da Família. Hoje, o programa, que recebe investimentos anuais de R$ 3,9 bilhões, conta com mais de 28 mil equipes de Saúde da Família e mais de 16 mil equipes de Saúde Bucal. Os agentes comunitários, pelo menos uma vez por mês, visitam as famí¬lias oferecendo orientações para casos de hipertensão, diabetes e obesidade.
Fonte: O Barriga Verde (SC) - 06 de Agosto de 2008