A Unicamp e a Secretaria de Estado da Saúde firmaram na tarde desta terça-feira (22) convênio para a criação do primeiro Programa de Escola da Família do Estado de São Paulo. A iniciativa, única do gênero no país, tem por finalidades formar e qualificar profissionais para atuar, em âmbito estadual, no Programa de Saúde da Família (PSF). Ao todo, a Secretaria investirá R$ 3,1 milhões no projeto, sendo R$ 1,5 milhão em infra-estrutura e R$ 1,6 milhão para custeio. Participaram da cerimônia de assinatura do termo, realizada no anfiteatro da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade, o governador José Serra; o secretário estadual de Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata; o coordenador-geral da Unicamp, Fernando Ferreira Costa; o diretor da FCM, José Antonio Rocha Gontijo; e o superintendente do Hospital de Clínicas (HC), Luiz Carlos Zeferino.
De acordo com José Serra, a importância do Programa está em seu pioneirismo. Até aqui, afirma o governador, as atividades de qualificação dos profissionais que atuam no PSF sempre estiveram voltadas para aqueles que não possuem curso superior. “Com essa escola, nós vamos qualificar também médicos, enfermeiros e dentistas, de modo a conferir maior qualidade ao atendimento básico da população”, analisa. Ainda segundo ele, a experiência começará por Campinas, mas a intenção é estendê-la a outras regiões do Estado. “Se tudo der certo, e nós acreditamos que vai dar, vamos repeti-la em Ribeirão Preto e em outras cidades importantes do Estado”, adianta.
O coordenador-geral da Unicamp destaca que a participação da Universidade no convênio mantém estreita relação com o seu compromisso de formar recursos humanos qualificados e contribuir para atividades de extensão que proporcionem benefícios à sociedade. Fernando Costa lembra que a FCM mantém desde 2001 um programa de Residência Médica em Saúde da Família. “Temos certeza de que essa escola servirá de modelo para o país. A Unicamp se coloca à disposição para colaborar com esse tipo de política pública”, afirma.
O Programa Escola da Família contará com uma sede própria e a expectativa é que as aulas comecem em setembro próximo. O superintendente do HC explica que entre três e cinco turmas, com 30 a 50 alunos cada, ocuparão salas de aula da FCM. Inicialmente, serão selecionados profissionais que já estão atuando no PSF, principalmente médicos e enfermeiros. Posteriormente, o programa será estendido para dentistas e agentes comunitários.
Os integrantes das primeiras turmas participarão do curso de Especialização Multiprofissional, que terá entre 360 e 420 horas/aula. Além dessa modalidade, a escola oferecerá ainda cursos de Residência em Medicina de Família e de Comunidade, Residência Multiprofissional em Saúde da Família e atividades de extensões variadas. “Quando o prédio estiver concluído, nós teremos condições de abrigar até dez turmas simultaneamente. Também há a possibilidade de criarmos uma modalidade de ensino a distância, que poderá ministrar aulas por meio de teleconferência”, antecipa Luiz Carlos Zeferino.
Pelos cálculos dele, cerca de 30 docentes da Unicamp deverão ministrar aulas na escola. A seleção dos alunos deverá ser feita pelos municípios. Entre as disciplinas que serão oferecidas aos alunos estão Política, Planejamento, Gestão e Gerência em Saúde; Epidemiologia nos Serviços de Saúde; Abordagem Familiar, Atenção à Saúde da Criança etc. Atualmente, de acordo com dados do governador Serra, o Estado conta com 3 mil equipes atuando no PSF. Cada uma delas é formada por um médico, um enfermeiro, um dentista e cinco agentes.
As modalidades
- Especialização Multiprofissional. Carga horária entre 360 a 420 horas/aula. As aulas serão ministradas durante um dia por semana, para que os profissionais continuem trabalhando em seus municípios e unidades básicas nos demais dias da semana.
- Residência Médica. Dois anos de tempo integral. Funciona desde 2001.
- Curso de Residência Multiprofissional. Duração de dois anos.
- Curso de Extensão. Duração variável, de acordo com a necessidade dos municípios, pois objetiva atender demandas específicas.
Fonte: site da Unicamp - 22/07/08