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Hanseníase

HANSENÍASE

 

 

O que é hanseníase?
Doença contagiosa, transmitida por uma bactéria que passa de uma pessoa doente, que não esteja em tratamento, para outra. Demora de 2 a 5 anos para aparecerem os primeiros sintomas.

 

Como se pega hanseníase?
Por meio das gotas eliminadas no ar pela tosse, pela fala e pelo espirro de uma pessoa com hanseníase, sem tratamento. Pode atingir homens e mulheres, adultos e crianças, de todas as classes sociais. Se existe contato próximo devemos estar atentos aos sintomas.

 

Como a gente sabe que esta com hanseníase?
Olhe o seu corpo, áreas que não suam, com perda de pêlos e sensibilidade, machas que não doem caroços e inchaços, isto pode ser hanseníase. Neste caso, procure seu médico de família na unidade de saúde mais próxima de sua casa.

 

Tem cura? Qual é o tratamento?
Sim. O tratamento da hanseníase é feito nos serviços de saúde e pode durar de 6 a 12 meses, se seguido corretamente. Os comprimidos devem ser tomados todos os dias em casa e uma vez por mês nas unidades de saúde do SUS. Não precisa de internação hospitalar, exceto em caso de complicações. O tratamento indicado pelo Ministério da Saúde é a poliquimioterapia (PQT) e é um direito de todo cidadão, ou seja, é gratuito.

 

Quando a pessoa esta em tratamento ela ainda transmite a doença?
Os doentes param de transmitir a hanseníase, logo nas primeiras doses do tratamento. Somente a pessoa doente que ainda não iniciou o tratamento transmite a hanseníase. Não se pega hanseníase bebendo no copo ou utilizando o mesmo talher da pessoa com a doença.

 

Como a doença afeta os nervos?
Os nervos podem ser afetados pela penetração do bacilo e pela reação do organismo ao bacilo ou pelas duas ao mesmo tempo. Assim como os fios elétricos passam por dentro das paredes das casas, os nervos são como fios que passam dentro do corpo e permitem sentir frio, calor, dor e tato. Se o fio elétrico estiver ruim, os aparelhos não funcionam, a luz não funciona. Se os nervos não estiverem bons, não sentiremos as coisas que nos tocam ou não movimentaremos bem, como mexer a mão ou andar. Os nervos mais afetados podem ser palpados nos locais assinalados na figura ao lado, porque podem ficar engrossados e em geral dolorosos.

 

A Hanseníase pode deixar seqüelas?
Sim. Pode causar incapacidades/deformidades, quando não tratada ou tratada tardiamente. As mãos podem apresentar com garras ou ferimentos; os olhos podem não fechar; pode haver queda dos cílios; o nariz pode “desabar”; pode ter rugas acentuadas; as orelhas podem estar modificadas; as sobrancelhas podem parcialmente desaparecerem; o pé pode ficar paralisado e com lesões tipo ulceras (feridas), recorrente. São seqüelas que podem ser responsáveis pela exclusão de muitos trabalhadores do mercado e convívio social.

 

Como devo me cuidar?
Através do autocuidado, que é o cuidado com você mesmo. É um dever para com a sua saúde. São procedimentos, técnicas e exercícios que as próprias pessoas podem fazer para prevenir incapacidades ou impedir que elas piorem. Por exemplo: hidratar a pele, manter a lubrificação dos olhos, não tirar casquinha do nariz e lavá-lo com soro fisiológico, usar calçados fechados e adequados, fazer exercícios e outras condutas que devem ser orientadas pelo seu médico de família ou fisioterapeuta.


É verdade que quem tem hanseníase precisa ficar isolado?
Não. Antes da medicação (PQT) o controle da doença era feito por meio do isolamento nas colônias, o isolamento compulsório, determinado pelas autoridades federais tentando evitar o contágio. Os doentes eram afastados dos seus familiares, dos amigos, do seu trabalho, da sua comunidade. Hoje isto não existe mais. porque, como já foi dito; o doente para de transmitir a hanseníase logo nas primeiras doses do tratamento.

 

Quem tem hanseníase tem direito a aposentadoria?
Sim. Basta que a pessoa comprove que contribui para o INSS e a sua incapacidade seja caracterizada em exame realizado pela perícia médica do INSS. A aposentadoria por invalidez acontece, quando não há regressão da incapacidade, após o período de auxílio doença. O auxílio doença termina, quando a pessoa recupera a capacidade.

 

O que é a pensão especial para as pessoas atingidas pela hanseníase?
É uma pensão mensal (750 reais), paga pelo INSS, destinada somente para as pessoas atingidas que foram submetidas a isolamento e internação compulsórias em hospitais-colônias, até 31 de dezembro de 1986. Estas devem acessar o site da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) da Presidência da República e ler a Cartilha de Orientações para a Pensão Especial, a fim de saber o que é preciso para requerer esta pensão.

 

Como esta a hanseníase no Brasil?
No Brasil, a hanseníase representa um grande desafio em saúde pública. Embora o país tenha avançado na redução do número de pessoas infectadas, ainda é classificada com índices altos segundo parâmetros oficiais. Para 2011, alguns dos desafios são: expandir a mobilização social para superação do estigma e preconceito contra a doença, melhoria do acesso aos serviços e da qualidade da atenção. Além disso, as ações devem focar na detecção precoce dos casos novos e na vigilância de contatos, evitando, assim, seqüelas e incapacidades.

 

Autora: Heloísa de Paula Lima
hdlolo2@hotmail.com

Médica de Família. Cursando o segundo ano de Residência de Medicina Família e Comunidade pela Santa Casa de Misericórdia de Goiânia. Graduação pela Faculdade de Medicina de Valença em 2007.


Bibliografia
(1) Hanseníase no Brasil – dados e indicadores selecionados – MS/ Brasília 2009; 2) Autocuidado em hanseníase – MS/Brasília 2010; 3) Hanseníase e direitos humanos – MS/ Brasília 2008 ( origem das fotos acima); 4) Diretrizes para vigilância, atenção e controle da hanseníase – MS / portaria nº 3.125, de 7 de outubro de 2010, www.saude.org.br 5) Informe da atenção básica n.º 42 ano VIII, Setembro/Outubro de 2007 ISSN 1806-1192 6) Cartilha informativa para requerimento de pensão especial de que trata a medida provisória nº 373 de 24 de maio de 2007, convertida na lei nº 11.520 de 18 de setembro de 2007, e o decreto nº 6168 de 24 de julho de 2007.7) Caderno de Atenção Básica, Vigilância em Saúde, número 21, MS/ Brasília 2008. 8) Cartilha: Como ajudar no controle da Hanseníase? MS/ Brasília 2008 e Hanseníase, MS/ Janeiro 2010.