Consulta remota é tema de livro que orienta sobre nova prática autorizada durante a pandemia

18 de março de 2021

Após anos de espera, a pandemia acelerou a autorização das consultas remotas, uma atividade muito aguardada por muitos profissionais de saúde, entre eles, médicas e médicos de família e comunidade. Por ser uma ferramenta nova, ter orientações que direcionem a um melhor resultado durante os atendimentos garante que o objetivo daquela consulta seja atingido. 

Para apoiar os médicos e médicas que aderiram a ferramenta, o livro Consulta Remota, escrito por Carlos André Aita Schmitz , Marcelo Rodrigues Gonçalves , Roberto Nunes Umpierre , Cynthia Goulart Molina-Bastos , Manuela Martins Costa, Rodolfo Souza da Silva, recém-publicado pela Artmed, aborda os aspectos técnicos e legais desde a conversão de uma consulta presencial para a virtual, passando pela ética, estética e etiqueta até a gestão. 

A venda do livro está disponível no link.  Associados/as adimplentes da SBMFC têm desconto em livros do Grupo A. Para obter o desconto, entre na área restrita do site, com seu login e senha, e clique no banner correspondente da Artmed. 

O lançamento oficial acontecerá dia 19/03, às 20h, com palestra sobre o tema central do livro. As inscrições estão disponíveis no link: https://secad.artmed.com.br/webinar-online-medsummit-programacao/

Confira a entrevista com os autores: 

SBMFC: Com a pandemia, as consultas remotas foram aprovadas pelo CFM depois de muitos anos de discussão. Os médicos estavam preparados para lidar com este novo formato de atendimento?

Autores: Uma recente revisão Cochrane destaca a falta de treinamento em habilidades de atendimento à distância, o que justifica a necessidade de documentos como este livro. Os países que já tinham um histórico em telemedicina/telessaúde conseguiram dar uma resposta mais rápida e adequada para essa demanda. No Brasil, a transição foi muito mais abrupta, dada a defasagem histórica de legislação na área, o que gerou urgência em produzir materiais de suporte para profissionais da saúde que foram tomados de assalto pela quase falta de escolha em usar um método de trabalho com o qual não estão habituados nem dominam

SBMFC: Nem todas as pessoas estão adaptadas ao uso da tecnologia, sejam médicos, sejam pacientes. Alguma orientação para que a consulta seja a mais efetiva possível nesses casos? Alguma orientação pré-atendimento sobre como funciona a parte técnica?

Autores: A principal questão sempre é decidir se uma consulta pode ser remota ou necessita de conversão para um atendimento presencial e os profissionais de saúde, no geral, estão habilitados para tomar essa decisão. Com isso resolvido, existem questões não intuitivas relacionadas ao uso de tecnologia. Citam-se questões éticas de privacidade, segurança e higiene de dados, questões estéticas que dizem respeito ao espaço físico (fundo, luz, ângulo e campo de visão), ao espaço virtual (área de trabalho e aplicativos) e questões de etiqueta, relacionadas com a forma de ver e se apresentar, de escrever e de falar, bem como de propiciar acessibilidade.

SBMFC: O que os autores do livro esperam da consulta remota para os próximos anos (a curto e médio prazos)? Por exemplo, mesmo após a pandemia, continuará como uma ferramenta eficaz para diagnóstico e acompanhamento daquele paciente?

Autores: A principal esperança é que não haja retrocesso. Pelo contrário, que haja avanços no sentido de ampliar o acesso à saúde por meio da apropriação tecnológica. Exemplos de pontos a se citar são: permitir que o profissional decida sobre a necessidade de uma primeira consulta presencial; gerar segurança sem burocratização (barreiras); fortalecer e inovar nas relações entre conselhos profissionais regionais para permitir que o paciente seja protegido pelo conselho do seu local de residência e o profissional seja protegido pelo conselho da sua localização geográfica; permitir a justa remuneração pelos serviços prestados.

SBMFC: Sobre a graduação e residência em MFC, como incorporar este tema na formação?

Autores: A apropriação de tecnologias pela saúde não pode estar restrita a disciplinas eletivas ou cursos isolados de pós-graduação. Não há mais tempo nem sentido para esse tipo de discussão. Hoje não se pode mais pensar no ensino de telessaúde para eventuais futuras utilizações, hoje é necessário aprender a produzir saúde (com ou sem apropriação de novas tecnologias) sob a demanda da necessidade de ampliação do acesso com segurança para as pessoas, independentemente da ponta da relação em que estiverem. Seria o mesmo que deixar de usar um estetoscópio por ele ter sido uma das primeiras apropriações tecnológicas a afastar profissionais e pacientes. Ou seja, graduações e residências que não incorporarem a apropriação tecnológica de forma transversal nos seus currículos teóricos e práticos estarão fadadas a subformação de seus egressos.

SBMFC: A Medicina de Família e Comunidade se destaca por alguma razão no atendimento remoto? Como incorporar no cotidiano da APS?

Autores: Historicamente, assim como a pediatria, a MFC é a área que mais concede múltiplas formas de contato aos seus pacientes. Podemos dizer que só estavam esperando uma maior liberação ético-legal, posto que resoluções de 2011 e 2017 já liberaram alguma medida de uso de telefones e aplicativos de mensagens. Agora é só partir para a aprimoramento do que já se faz a muito tempo.